Vulcanismo
O
vulcanismo é o conjunto dos processos através dos quais se dá o derrame de lava, gases e outros materiais (piroclastos)
à superfície, provenientes do interior da Terra.
Pode
ser classificado em vulcanismo primário e vulcanismo secundário, sendo o
primeiro referente ao evento vulcânico principal, associado aos vulcões, e o segundo às restantes manifestações vulcânicas,
tais como, geisers, fumarolas,
nascentes termais, etc…
Vulcões
Os
vulcões são aberturas na crosta terrestre por onde se dá o derrame de lava, cinzas, vapor de água e outros gases, vindos do interior do
planeta. São constituídos pelo edifício principal ou cone vulcânico, cratera e
chaminé. Por vezes, pode existir um cone adventício ou secundário, com a sua chaminé e cratera, mas alimentado pela conduta principal.
O
edifício principal ou cone vulcânico é construído à custa dos materiais que vão
sendo derramados à superfície e vão fazendo “crescer” o vulcão.
Quando
a actividade vulcânica é extinta ou quando os vulcões estão adormecidos, é
frequente que se formem lagoas nas suas crateras, à custa das águas das chuvas.
Estas lagoas, denominadas caldeiras, formam-se quando se dá o colapso ou
abatimento da parte superior do cone vulcânico, como resultado do esvaziamento
da câmara magmática se, após a erupção não voltar a
haver recarga da mesma. As caldeiras podem ter variadas dimensões e a forma
delas tende a ser circular ou elíptica, à semelhança da cratera vulcânica.
Em
Portugal nos arquipélagos, encontram-se belos exemplos disso. Algumas destas
caldeiras, localizam-se na ilha de S. Miguel, Açores.
TIPOS
DE VULCANISMO
Vulcanismo
fissural
O
vulcanismo fissural ocorre a maior parte das vezes associado ao vulcanismo
principal. É uma forma de expulsão de lava, que consiste no seu derrame através
de fissuras (ou fraturas) à superfície e não através
de um vulcão.
Vulcanismo
submarino
Os
vulcões não ocorrem apenas à superfície (vulcanismo sub aéreo), mas também
debaixo de água (vulcanismo submarino). Quando os vulcões “nascem” nos fundos
marinhos e o seu topo atinge a superfície ficando fora de água, formam-se as
ilhas vulcânicas.
Localização
dos vulcões no planeta
A
distribuição dos vulcões não se dá ao acaso. A maioria encontra-se na
dependência dos riftes e das zonas
de subducção. Isto é, os vulcões ativos localizam-se preferencialmente
ao longo das zonas de fronteira de placas.
O
magma e a atividade vulcânica
As
diferentes composições químicas do magma, bem como, a
quantidade de gases aprisionados, fazem com que este se torne mais ou menos
viscoso, indo esse grau de viscosidade influenciar o tipo de vulcanismo
associado.
O
carácter mais ou menos explosivo de um episódio vulcânico está intimamente
associado às características do magma. Desta forma, um magma muito viscoso dá
origem a um vulcanismo explosivo (cone vulcânico alto), devido à grande
quantidade de material gasoso retido e que lhe faz aumentar a pressão. Por
outro lado, se o magma for fluído, com pequena quantidade de gases
aprisionados, o vulcanismo tem um carácter mais efusivo (edifício
vulcânico baixo), com episódios de vulcanismo mais calmos. No entanto, há casos
em que o vulcanismo tem carácter misto, pois ocorrem os dois tipos, o explosivo
e o efusivo, frequentemente alternados. Além destes, pode ocorrer um outro tipo
de atividade vulcânica, a catastrófica. Esta, como o nome indica, é
ainda mais intensa que a explosiva.
As
características dos episódios vulcânicos, podem resumir-se no seguinte quadro:
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Carácter da erupção
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Explosiva a Catastrófica
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Mista
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Efusiva
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Tipo de erupção
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Peleano
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Estromboliano
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Havaiano
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Quantidade de gases
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Muito rico
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Intermédio
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Muito pobre
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Materiais
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Domas ou agulhas, nuvens ardentes
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Lapilli, bombas, escoadas
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Rios de lava
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Viscosidade
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Grande
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Média
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Pequena
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Os
tipos de erupção Peleano, Estromboliano e Havaiano (segundo Lacroix) são assim
designados pois resultam do estudo do “comportamento” característico dos
vulcões Monte Pelée na Martinica, Stromboli no Mar Tirreno e Ilhas vulcânicas
do arquipélago do Havai.
Após
o derrame à superfície passa a falar-se de lava e não de magma.
As
diferentes rochas que resultam do arrefecimento dos
magmas (ou da lava) derivam das diferentes composições químicas dos mesmos e
também dos diferentes teores em sílica que estes apresentam.
O
leque de rochas é grande, mas pode-se considerar três grupos principais que
correspondem aos magmas basálticos, andesíticos
ou riolíticos.
Quando
ocorre uma erupção vulcânica, uma das formas de expulsão de material magmático
consiste nas escoadas de lava, que, dependendo do tipo (ácida, básica ou
intermédia) e do seu conteúdo em elementos voláteis, vão ter aspetos e texturas diferentes. O facto de uma erupção ser submarina e
a lava consolidar em meio aquático, vai também, ter influência nas
características da rocha consolidada.
Assim,
a lava ao escorrer pelas encostas de um vulcão em meio sub aéreo pode
apresentar vários aspetos e estruturas:
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Se a lava for fluida e pouco viscosa, ao escoar e arrefecer adquire uma
superfície lisa ondulada, denominando-se lava encordoada.
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- Se pelo contrário a lava for viscosa
e menos fluida, vai escorrer mais dificilmente e ao arrefecer fica com a
superfície extremamente irregular e rugosa, resultado dos fragmentos que se
vão partindo, denominando-se lava escoriácea.
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- As lavas que arrefecem debaixo de
água (vulcanismo submarino) adquirem um aspeto de ‘almofada’ e por isso mesmo
se chamam lavas em almofada.
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Quando
a lava de uma erupção vulcânica é muito ácida e viscosa, além das escoadas, forma-se
frequentemente uma agulha vulcânica quando o magma solidifica na chaminé.
Assim, pode acontecer que, após a erosão do aparelho ou cone vulcânico, reste
uma agulha de rocha vulcânica em relevo, que materializa a chaminé.
No
entanto, se a lava solidifica sobre a cratera, formando como que uma ‘tampa’
que fica a obstruir a saída de mais material, denomina-se cúpula ou doma.
Se
a erupção vulcânica tem carácter explosivo, libertam-se densas massas de cinzas
e gases que se podem deslocar a grandes velocidades tendo um efeito devastador.
Dada a sua densidade, tendem a deslocar-se perto da superfície. São as nuvens ardentes.
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O leque de materiais expelidos pelos
vulcões simultaneamente com a lava, abrange os gases (vapor de água, dióxido
e monóxido de carbono, dióxido de enxofre e ácido clorídrico), e também
materiais sólidos que consistem essencialmente em bombas,
blocos, cinzas, poeiras, pedra-pomes e lapili ou bagacina (este último corresponde a fragmentos
de lava cujas dimensões rondam os 4mm a 32mm).
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O
vulcanismo em Portugal
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Os
arquipélagos dos Açores e Madeira são, no território nacional, umas das zonas
onde há atividade vulcânica.
As
ilhas que constituem o arquipélago dos Açores correspondem a vulcões submarinos,
sendo vários deles ativos ainda, isto é, são vulcões que entram em erupção
com alguma frequência, ou que entraram em erupção recentemente. Além do
vulcanismo principal existem também manifestações de vulcanismo secundário,
as fumarolas, nascentes termais e geisers.
A
Madeira não apresenta vulcanismo ativo como os Açores, tendo sido considerado
extinto.
Relativamente
ao território continental, as evidências de vulcanismo (rochas vulcânicas –
escoadas e piroclastos - e chaminés vulcânicas), encontram-se no Algarve
(vulcanismo mesozóico), Alentejo (vulcanismo de idade paleozóica,
nomeadamente, do Câmbrico e Silúrico e, posteriormente, Devónico e Carbónico)
e Estremadura (vulcanismo de idade mesozóica, realçando o Complexo Vulcânico
de Lisboa, de idade cretácica).
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